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do estado. Têm acesso limitado à água e saneamento básico, coleta de lixo, acesso à saúde e educação. Este é um
                cenário que se perpetua ainda hoje, com alta prevalência de doenças como tuberculose, hanseníase, escabiose
                e parasitoses.
                        Desta forma, entende-se que os agravos à saúde nos países em desenvolvimento tem ligação intrínseca
                com uma série de fenômenos socioeconômicos e culturais que implicam na manutenção da pobreza e da de-
                sigualdade social. Em especial no Brasil, observa-se nos últimos anos a evolução do crescimento demográfico
                e urbano desordenado, expansão das favelas, desmatamento acelerado, atividade industrial isenta de sustenta-
                bilidade socioambiental, falência dos serviços de saúde, crise imigratória, recrudescimento da pobreza e forte
                acentuação da desigualdade social. Esses fatores somados  criam o contexto perfeito – e saúde é contexto –
                para a perpetuação e instalação de novos agravos à saúde.
                        Destacamos então que Doença de Chagas, leishmaniose, filariose, malária e outras doenças tropicais
                negligenciadas são responsáveis por 500 mil a 1 milhão de óbitos anualmente e representam um problema glo-
                bal de saúde pública - e um desafio em especial para o Brasil. Além dos altos índices de morbimortalidade, essas
                doenças tangenciam importantes aspectos socioculturais e político-econômicos, como desigualdade social e
                globalização. Apesar de toda a problemática envolvida, menos de 5% do financiamento mundial de inovação
                para doenças negligenciadas foram investidos no grupo das doenças extremamente negligenciadas, como a
                doença do sono, leishmaniose visceral e doença de chagas.
                        Embora o Brasil exerça papel de proeminência no tocante aos estudos em Medicina Tropical, poucos
                são os eventos de caráter regional que atualmente contribuem significativamente com a disseminação da infor-
                mação científica acerca das doenças tropicais negligenciadas.  O debate acerca da Medicina Tropical é um de-
                safio da Saúde Pública brasileira, que se correlaciona com a Reforma Sanitária, a expansão da rede de cuidados
                primários e a adoção de políticas públicas eficazes contra essas doenças.
                        Desta forma, ciente da responsabilidade social e necessidade de democratização do conhecimento
                científico, o I Simpósio de Medicina Tropical e Doenças Negligenciadas configura-se como um evento inte-
                rinstitucional de promoção da ciência, divulgação científica e educação que busca a consolidação, multiplicação
                e encorajamento dos espaços de diálogo entre estudantes e pesquisadores em Medicina Tropical.
                        Neste sentido, o Simpósio foi pensando oferecendo atividades diversas, como Aulas Magnas, Con-
                ferências, Mesas Redondas, Colóquios, Workshops, competição de conhecimentos em Medicina Tropical e
                apresentação de Trabalhos Científicos. Ou seja, buscou-se fomentar a comunicação entre os estudantes e pes-
                quisadores da área de Medicina Tropical no ambiente acadêmico; integrar, incentivar e proporcionar aos alunos
                da graduação e da pós-graduação, a oportunidade para expor e discutir seus trabalhos; e proporcionar o contato
                com pesquisadores de alto desempenho e notório saber de diversas instituições de pesquisa e ensino.
                         O I Simpósio de Medicina Tropical e Doenças Negligenciadas da Universidade Federal do Rio de Ja-
                neiro busca atingir diversos profissionais e alunos da saúde que atuam no âmbito da Medicina Tropical e Saúde
                Pública, oferecendo um espaço para discussão de suas pesquisas acadêmicas e uma programação completa com
                palestrantes de diversas regiões do país, com temas alinhados à realidade epidemiológica brasileira. Caracteri-
                za-se, então, como um evento formativo uptodate e um espaço de encontro para os pesquisadores da área no
                Rio de Janeiro.

                                                                              Rio de Janeiro, 04 de Julho de 2018.


                                                                                           Helver Gonçalves Dias
                                                                                         Gabriela Cardoso Caldas
                                                                                          João Vítor Galo Esteves
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